LITERATURA
Prof. Dr. Dílson César Devides (UFMT/UFMA)
Prof. Me. Rondiney de Souza Alves (UFMA/UEMA)
RESUMO: Este simpósio propõe discutir os diálogos entre literatura e outras linguagens narrativas, como cinema, histórias em quadrinhos, jogos digitais e plataformas digitais, considerando os processos de adaptação, recriação e circulação de narrativas entre diferentes mídias. No contexto contemporâneo, marcado pela cultura digital e pela crescente presença da inteligência artificial, busca-se refletir sobre como tecnologias algorítmicas têm transformado os modos de criação, produção e recepção das obras literárias e de suas transposições para outras linguagens, incluindo práticas como a roteirização assistida por IA e a produção literária mediada por algoritmos. Serão bem-vindos trabalhos que abordem teoria da adaptação, estudos intermidiáticos, transmidialidade, narrativas interativas, adaptações de obras literárias para mídias audiovisuais e digitais, bem como investigações sobre literatura digital, cibercultura, fanfictions, quadrinhos digitais e outras formas de narrativa contemporânea. O simpósio acolhe também análises sobre o papel da inteligência artificial nos processos criativos, interpretativos e de leitura, refletindo sobre as transformações das práticas narrativas e das experiências estéticas na era digital.
Profª. Drª Cristiane Navarrete Tolomei (UNIFESP/PPGLB-UFMA)
Profª. Drª Flávia Andrea Rodrigues Benfatti (UFU)
RESUMO: Na contemporaneidade, as dinâmicas do neocolonialismo e do capitalismo global seguem estruturando desigualdades históricas no Brasil, aprofundando violências relacionadas a raça, gênero, classe, sexualidade e território. Herdeiras do processo colonial, tais dinâmicas sustentam uma matriz moderna-colonial — branca, patriarcal, capitalista e eurocentrada — que legitima determinados corpos, saberes e narrativas, ao mesmo tempo em que subalterniza e silencia outros. Nesse cenário, a escrita literária de mulheres constitui um espaço central de resistência e intervenção epistemológica frente às colonialidades do poder, do saber, do ser e, de modo decisivo, do gênero. Ao inscreverem experiências historicamente marginalizadas, atravessadas por marcadores como raça, classe, território, memória, sexualidade e ancestralidade, escritoras brasileiras tensionam o universalismo abstrato da modernidade e desestabilizam a lógica monológica do projeto colonial. Ancorado nos aportes do pensamento decolonial, a partir de autores/as como Aníbal Quijano, Walter Mignolo, Ramón Grosfoguel, María Lugones, Rita Segato, Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro, este simpósio propõe-se a reunir trabalhos críticos sobre obras da literatura brasileira escritas por mulheres, compreendendo tais produções como práxis decoloniais. Interessa-nos acolher análises que abordem, por meio da literatura, a colonialidade do gênero, as epistemologias feministas negras, as narrativas de mulheres indígenas e suas relações com território e saberes ancestrais, as dissidências corporais e sexuais, bem como as articulações entre escrita, memória e violência colonial. Ao compreender a literatura como gesto político, estético e epistemológico, o simpósio convida reflexões que entendam a escrita de mulheres no Brasil como prática de desligamento em relação às estruturas da modernidade-colonial, capaz de colocar em crise seus fundamentos e de abrir fissuras para outros modos de existência, de conhecimento e de mundo.
Prof. Dr. Gil Derlan Almeida (UFPI/IFMA/NYU)
Profª Ma. Larissa Emanuele da Silva Rodrigues de Oliveira
Profª Drª Lucélia Almeida
RESUMO: O espaço constitui um elemento, que no bojo do texto literário, acentua outras formas e ultrapassa os liames do meramente geográfico. Desta maneira, a comunicação entre espaço e obra se molda como um universo de possibilidades que abarcam vivências, comportamentos e sentimentos dos mais variados sentidos. O espaço é parte de nós, e a indissociação desta premissa é, justamente, ponto norte dentro da proposta deste momento de discussão. Congregador de instâncias sociais que permeiam o político, econômico e pessoal, tal como afirmado por Brandão (2013), convidamos pesquisadores e pesquisadoras de instituições nacionais e estrangeiras para socializarem suas pesquisas e reflexões acerca do espaço literário como problemática de suas investigações, focando no binômio espaço-literatura e as representações e desdobramentos dessa associação nas obras literárias. Como pressupostos teóricos, sugerem-se nomes como Bachelard (1989), Brandão (2013; 2015), Borges Filho (2007); Tuan (2017), bem como outros que dialoguem sobre estas discussões. Os trabalhos podem versar sobre análises de obras literárias em língua portuguesa ou inglesa, bem como produções clássicas ou contemporâneas, mas que discutam, sobretudo, a importância do espaço como elemento que influencia na narrativa. Busca-se criar um momento de troca de saberes sobre como o espaço é reproduzido, apreendido e significado nos corpus literários, a fim de compreender como essa articulação se inscreve nas personagens. As discussões almejam refletir como sujeito/espaço se inserem nos textos, dada a importância dessas questões para os estudos literários.
Prof. Dr. Ricardo Nonato A. de A. Silva (UFMA/ Bacabal)
Prof. Dr. Stélio Rafael Azevedo de Jesus (UFMA/ Bacabal)
Prof. Dr. Antonio Aílton Santos Silva (UFMA/ São Bernardo)
RESUMO: O presente simpósio recebe propostas de estudos sobre a poesia de autores oriundos do Nordeste, região geopolítica que demarca um espaço singular dentro do território nacional do Brasil. Importa refletir sobre as implicações nacionais em torno da insistente centralização do conceito de literatura brasileira. Não se trata de uma questão meramente estética, mas de uma divisão cultural politizada que impõe, por vezes, uma hierarquia valorativa a partir das geografias e das cartografias sociais, e cria a ilusão de fragmentos regionais exógenos aos grandes centros cuja produção se estabelece num status de nacionalidade, definindo rótulos e comportamentos. Acreditamos, pelo contrário, que a poesia produzida no Nordeste – não apenas a denominada popular – coloca em cena uma rica poética, tanto no sentido formal, como pelos temas contemporâneos e/ou amalgamados, reinventados, em muitos casos, em diálogo com os fundamentos da literatura brasileira ou com a literatura universal. O público-alvo do simpósio são os alunos do Curso de Letras, professores, pesquisadores e público em geral interessados no tema.
Prof. Dr. Rubenil da Silva Oliveira (UFMA)
Profª. Drª. Renata Cristina da Cunha (UESPI)
Ruan Nunes Silva
Profª Drª. Érika Fernandes Alves (UEM)
RESUMO: O presente Simpósio pretende reunir discussões as quais envolvam as categorias conceituais – raça, gênero, dissidências sexuais e resistência na literatura e nas produções artístico-culturais. Para Achille Mbembe, em Crítica da razão negra (2018), dá-se o nome de raça a toda construção histórica, política e fantasmagórica que valida o capitalismo selvagem, o projeto de necropolítica e transformação dos corpos em mercadorias ou vidas que não importam. Entende-se o gênero como uma construção para além do binarismo imposto como norma, também trata da “contínua estabilização do corpo, um conjunto de atos repetidos no interior de um quadro regulatório altamente rígido e que se cristaliza ao longo do tempo para produzir a aparência de uma substância, a aparência de uma maneira natural de ser” (Butler, 2016). Essas noções desestabilizam certezas e nos colocam num espaço de discussão que atravessa os diferentes campos do saber e inquiri-nos sobre o que somos – homem, mulher, raça – e suas performances correlatas, assim nos perguntaríamos – que gênero e raça performatizamos? Então, o melhor seria nos perguntar o que fazemos, porque gênero é discurso e é um ato performático, por isso, construído socialmente assim como a noção de raça. Por sua vez, as dissidências sexuais revelam os corpos dos sujeitos que confrontam a heteronormatividade, abrigando todo o conjunto de letras e diversidade de desejo para além do binarismo heteronormativo. Por último, a resistência, na perspectiva de Bosi (2002) alude à temática e à forma de escrita, podendo estar nas entrelinhas do texto, posto que falar de dissidências sexuais, raça e gênero é subverter a ordem, é um não morrer enquanto combinam de nos matar. Nesta perspectiva, este Simpósio abriga todo o conjunto envolto nessas categorias nos diferentes sistemas literários, literatura inglesa, literatura portuguesa, literaturas africanas, literatura brasileira, afro-brasileira e indígena, além as outras expressões artísticas e culturais como as séries televisivas e o cinema os quais têm contribuído para a ampliação do debate acerca das categorias apresentadas. Portanto, este Simpósio também se coloca como um espaço de resistência e da voz dos sujeitos marginalizados, revelando que não “é sobre o ser que discutimos”, mas “sobre o fazer” dos sujeitos de cada dia, aquilo que está cá dentro das expressões artístico-culturais e da literatura que precisa de um lugar nas discussões acadêmicas e não ocupar o lugar do cânone.
Profa. Dra. Elen Karla Sousa da Silva (UFAM/PPGL)
RESUMO: Este simpósio tem como objetivo discutir as relações entre literatura e masculinidade negra, compreendendo essas masculinidades como construções históricas e sociais atravessadas por dinâmicas de poder, especialmente aquelas vinculadas ao racismo e ao patriarcado. Parte-se do entendimento de que o homem negro ocupa um lugar marcado por tensões, uma vez que, ao mesmo tempo em que pode ser interpelado pelos modelos hegemônicos de masculinidade, também é alvo de processos de desumanização que limitam sua inserção plena nesses mesmos modelos. A proposta enfatiza que as masculinidades negras não podem ser pensadas de forma homogênea, pois são constituídas por experiências diversas, atravessadas por fatores como classe, território, geração e sexualidade. Nesse sentido, a literatura se apresenta como um espaço fundamental para a problematização dessas experiências, ao dar visibilidade às múltiplas formas de existência e aos conflitos que atravessam a construção dessas identidades. Outro eixo central da discussão está na análise das representações do corpo negro, frequentemente associado a estereótipos que reduzem sua complexidade e reforçam processos de violência simbólica e material. Essas representações impactam diretamente a subjetividade dos sujeitos, produzindo formas específicas de sofrimento, mas também estratégias de resistência e ressignificação. Além disso, o simpósio propõe refletir sobre os efeitos do racismo estrutural nas trajetórias de homens negros, desde a infância até a vida adulta, evidenciando como desigualdades sociais e institucionais interferem na construção de suas identidades e possibilidades de atuação no mundo. Por fim, busca-se pensar caminhos para a construção de outras formas de masculinidade, que rompam com padrões normativos baseados na dominação e na violência, abrindo espaço para experiências pautadas no cuidado, na afetividade e na pluralidade. Nesse processo, a literatura negra assume um papel central, ao tensionar discursos hegemônicos e produzir novas formas de imaginar e narrar o sujeito negro.
Profa. Dra. Naiara Sales Araújo Santos (UFMA)
Dra Tarcyene Ellen Santos Muniz (UFMA)
RESUMO: Este simpósio tem como objetivo levantar discussões acerca dos gêneros Ficção Científica e Literatura Fantástica no âmbito das temáticas de Discurso, Gênero e Identidade. Com o intuito de analisarmos diferentes modalidades de discurso, daremos espaço tanto ao discurso Literário quanto ao discurso cinematográfico e seus múltiplos elementos de construção de sentido. Aqui, será enfatizado, dentre outros aspectos, o diálogo entre a Literatura Brasileira e a Euroamericana no tocante às temáticas do Fantástico e sua interface com a Ficção Científica. Atenção especial será dada às figurações ficcionais da literatura, sobretudo no que se refere ao impacto da tecnologia nas relações humanas, terreno ainda pouco explorado no universo da crítica literária, especialmente quando se trata da Literatura Fantástica e de Ficção Científica. Dentre os autores explorados neste simpósio estão: Aluísio Azevedo, André Carneiro, Coelho Neto, Dostoiévisk, José Saramago, Plinio Cabral, Philip K. Dick, Poe. Também estarão no centro das discussões reflexões acerca da evolução tecnológica para o homem como ser social, bem como aspectos político-sociais que influenciam nas transformações de elementos relacionados à identidade nacional de um povo. Como suporte teórico traremos à baila as ideias de Tzvetan Todorov, H.P. Lovecraft, Irlemar Chiampi, Felipe Furtado, Adam Robert, Paul Alkon, Darko Suvin , Homi Bhaba, Stuart Hall entre outros. Nossa análise comparativa e crítica lançará mão de discussões já existentes em âmbito nacional e internacional no tocante ao conceito de Ficção Científica e Literatura Fantástica e outros gêneros relacionados a estes.
Lucélia Almeida (UFMA/CNPq)
Francinaldo Pereira (UEMA)
Welida Maria Gouveia (SEDUC/MA)
RESUMO: O ensino de literatura ocupa lugar central nos debates contemporâneos sobre formação humana, leitura e linguagem. Concebida como necessidade humana fundamental — capaz de organizar o caos interior, humanizar e ampliar a compreensão de mundo —, a literatura representa um direito inalienável a todo indivíduo (CANDIDO, 2011). No contexto escolar, entretanto, sua efetividade depende de mediações pedagógicas que transformem o texto literário em experiência de leitura genuína, e não em objeto de obrigação curricular. Nessa perspectiva, o letramento literário — compreendido como processo de apropriação da literatura como linguagem e prática social — oferece fundamentos teórico-metodológicos que articulam fruição, reflexão crítica e ampliação de repertório (COSSON, 2014). A Base Nacional Comum Curricular reafirma a centralidade da leitura literária na formação educacional, reconhecendo sua contribuição para a consolidação e a ampliação das habilidades de uso e de reflexão sobre a linguagem (BRASIL, 2018). Este simpósio acolhe trabalhos que discutam práticas, experiências e propostas voltadas ao ensino de literatura na educação básica e superior, incluindo: letramento literário e formação de leitores; metodologias para o ensino de literatura; práticas de leitura e escrita com base literária; literatura e identidade cultural; e usos da literatura em contextos escolares e não escolares. O objetivo é promover o diálogo entre pesquisadores e professores comprometidos com uma educação literária que reconheça a literatura como direito e como potência transformadora da vida social.
Prof. Dr. Fábio José Santos de Oliveira (UFS)
RESUMO: Os estudos tradicionais sobre a relação entre a Literatura e as artes da visualidade geralmente põem em movimento um campo terminológico movido pelo ut pictura poesis (“a poesia é como uma pintura”) divulgado pelo Renascimento a partir de Horácio (65 a.C-8 a.C.), pela ekphrasis retórica ou pelo pictorialismo imagético. Praticamente todos esses estudos têm como foco de pesquisa a relação entre o texto literário e as artes plásticas. Ocorre que o pesquisador que lida sobre o domínio interartes no campo da visualidade tem diante de si, atualmente, um amplo espectro de possibilidades epistemológicas e hermenêuticas, mesmo em se tratando de objetos que alguns considerariam tradicionais e ultrapassados. Levando em conta essa importância que os estudos interartes têm apresentado ao longo da história e ainda apresentam na contemporaneidade, o simpósio de “Literatura e Visualidade” pretende acolher estudos teóricos e/ou crítico-analíticos sobre a relação entre Literatura e alguns meios plástico-visuais (pintura, gravura, xilogravura, desenho, fotografia, gravura, arquitetura e cinema), quer seja através das tradicionais discussões estético-semióticas, quer seja através de discussões das obras como produtos culturais. Ressalta-se que o Simpósio avaliará apenas as propostas em que conste, no mínimo e efetivamente, uma obra literária, consagrada ou não pela crítica.
Cacio José Ferreira (UnB)
Jucelino de Sales (UEG)
RESUMO: Este simpósio propõe discutir a literatura como espaço de produção simbólica atravessado por relações de poder, memória e territorialidade, deslocando o foco crítico para produções situadas à margem dos circuitos hegemônicos de legitimação. Partindo da perspectiva que articula literatura comparada, crítica cultural e estudos pós-coloniais, o simpósio busca compreender o fenômeno literário em sua dimensão plural, relacional e heterogênea, problematizando os limites do cânone e os modos pelos quais determinadas formas, vozes e experiências são historicamente silenciadas ou marginalizadas. Nesse horizonte, a literatura é concebida como objeto estético, prática discursiva e espaço de maneira simbólica, no qual se delineiam embates entre centro e periferia, escrita e oralidade, memória e esquecimento. O diálogo com autores como Foucault, Derrida, Bhabha e Glissant permite pensar a produção literária como campo de forças em constante reconfiguração, enquanto aportes da teoria dos polissistemas e da intertextualidade evidenciam a literatura como rede dinâmica de relações, atravessada por deslocamentos, traduções e reapropriações. Ao mesmo tempo, a incorporação das noções de “poéticas da voz” (Zumthor) e “escrevivência” (Conceição Evaristo) amplia o conceito de literariedade, incluindo formas expressivas vinculadas à oralidade, à experiência vivida e às narrativas de sujeitos historicamente subalternizados. Do ponto de vista metodológico, o simpósio orienta-se por práticas de cartografia cultural, mapeamento literário e escuta sensível, articulando levantamento bibliográfico, pesquisa de campo, história oral e análise crítica, em consonância com a compreensão da pesquisa em literatura como articulação entre interpretação e aparato teórico (Durão, 2020). Tal abordagem permite analisar escrituras e rastrear percursos, redes de circulação e modos de inscrição da literatura em diferentes territórios socioculturais. Nesse escopo, o simpósio destina-se à recepção de trabalhos que versem sobre: (i) estudos e investigações sobre performance e poéticas da voz (regional ou marginalizada); (ii) pesquisas voltadas à memória, à circulação e à recepção sobre oralitura, literatura marginal e periférica, literatura amazônica, literatura negra-brasileira, literatura regional, literatura do cerrado, literatura quilombola. Ao reunir investigações sobre diferentes materialidades da literatura, da escrita às oralituras, das formas canônicas às produções marginais, o simpósio afirma o literário como espaço de travessia, no qual linguagem, memória e território se entrelaçam. Nesse movimento, evidencia-se a potência estética e política da literatura como prática de reconfiguração de imaginários, de inscrição de experiências e de ampliação do direito à literatura, entendido também como direito à visibilidade, à escuta e à circulação de diversas vozes.