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16. DA ALDEIA AO QUILOMBO: COSMOLOGIAS LINGUÍSTICAS, RACIALIDADE E EPISTEMOLOGIAS INSURGENTES EM ABYA YALA [ON-LINE E PRESENCIAL]

Profª. Me. Carla Georgea Silva Ferreira
Profª. Dra. Danielle Ferreira Costa

RESUMO: O simpósio propõe reflexão transdisciplinar nos campos da linguagem, educação e Sociologia, analisando relações entre linguagem, racialidade e território em Abya Yala. Parte-se da colonialidade do poder, do saber e do ser (Quijano), que institui hierarquias epistêmicas e raciais subalternizando saberes não ocidentais, operando por meio de dispositivos linguísticos, educacionais e institucionais que normatizam língua, corpo e território. Fanon ilumina a epidermização da inferioridade, mostrando efeitos psicológicos e sociais do racismo estrutural. Mbembe contribui com a noção de necropolítica, revelando como vidas e mortes são reguladas por regimes de poder racializados. Lélia Gonzalez amplia a análise da racialidade, gênero e interseccionalidade negra, enquanto Boaventura de Sousa Santos propõe epistemologias do Sul e justiça cognitiva, reivindicando saberes plurais e contra-hegemônicos. Édouard Glissant oferece a noção de relação, opacidade e crioulização, fundamentando uma poética da diversidade que tensiona universais ocidentais e valoriza interdependência cultural. Catherine Walsh aporta o conceito de interculturalidade crítica, permitindo deslocamentos estruturais nas políticas de produção de conhecimento. Nego Bispo integra perspectivas quilombolas, conectando território, corpo e práticas insurgentes. Davi Kopenawa traz epistemologias amazônicas que articulam floresta, linguagem e corpo, reforçando práticas de resistência indígena. Nesse contexto, o simpósio busca reunir trabalhos que investiguem como processos escolares, políticas linguísticas e práticas culturais tanto reproduzem quanto contestam desigualdades estruturais. Interessa-nos destacar experiências educativas, narrativas orais, práticas artísticas e formas coletivas de organização — como aldeias e quilombos — enquanto espaços de produção de contra-hegemonias e de outras racionalidades. Concebemos a linguagem como prática relacional e multiespécie, atravessada por relações de poder e em diálogo com cosmologias indígenas e epistemologias afro-diaspóricas, configurando modos de reexistência e resistência cultural. Buscamos contribuições que promovam deslocamentos epistemológicos e fortaleçam práticas de justiça cognitiva, ampliando o debate crítico e colaborando para a construção de horizontes plurais comprometidos com a preservação cultural, a equidade e a justiça social em Abya Yala.